Texto, produzido, adaptado e compartilhado por Robinson Mascarenhas Almeida (3º biblioteconomia, noturno)
Para fazer o CALC ser representativa dos e para a comunidade ecana, uma gestão do CALC deve atuar e construir uma dinâmica de ações dia-a-dia.
E como isso poderá ser feito? Quais as propostas que vão viabilizar uma política de autonomia e independência de uma entidade como o CALC. Voltando à indagação inicial: “Vamos pensar em nosso cotidiano partindo do que temos em comum, nossa condição de estudantes na universidade pública. O que nos parece ideal para nos juntarmos e agirmos?”
De várias formas e em várias ações.
Política administrativa e organizativa
O CALC é uma instituição política e como tal deve ser forte para construir as diversas lutas no cotidiano. Para isso, as suas administração e organização devem ser sólidas para dar suporte a ação política construída no dia-a-dia, e, é preciso:
- Consolidar a regularização das gestões, do estatuto
- Criar, efetivar e divulgar rotinas administrativas e procedimentos financeiros básicos
- Criar e incentivar a formação de núcleos, comissões, conselhos, grupos de trabalho (GT), grupo de discussões (GD) e demais agrupamentos que propiciem aos ecanos suas participações efetivas no CALC diante de vários temas e lutas a serem discutidas e realizadas
- Incentivar a participação dos Representantes Discentes no CALC fornecendo-lhes orientações para obtenção de verbas institucionais, realizando reuniões periódicas de RD’s sobre formas e conteúdos de representação e lutas
- Construir a administração e organização do CALC com Assembléia de estudantes; gestão do CALC; núcleos, grupos temáticos (finanças, de cultura, comunicação…), R.O.’s-Reuniões Ordinárias, R.E.’s-Reuniões Extrordinárias, fóruns etc;
- Criar a figura da consulta pública aos estudantes sobre temas relevantes nas pautas e lutas
- Demais ações
Política de finanças
As finanças bem conduzidas propiciam independência financeira e política. As sugestões são:
- Prestar contas das finanças da entidade, em órgão próprios e não-próprios de comunicação, e, propiciar a participação fetiva dos estudantes nos rumos das finanças do CALC
- Criar reserva para investimentos em infra-estrutura (sede do CALC, espaços estudantis etc)
- Criar e incentivar e fomentar fundos, programas de auxílio e parcerias para os cursos, projetos e ações estudantis
- Outras ações
Política cultural e de arte
A cultura e a arte devem ser independentes de qualquer interesse burocrático e restrito e manipulador; deve ser expressão de uma coletividade. Uma política cultural e de arte se baseia na construção autônoma e pró-coletiva/coletiva, sendo assim necessário:
- Incentivar a Ação Cultural integradora e reveladora dos estudantes da ECA, dos departamentos, dos cursos, entre estudantes-funcionários-professores
- Criar núcleo de cultura para definir e realizar ações na área cultural
- Incentivar ou realizar discussões no âmbito da ECA, da USP, das cidade(s), dos governos municipal, estadual e federal etc
- Incentivar e criar um circuito integrado de cultura e arte, comunicação e informação integrando espaços como CANIL_Espaços Fluxus de Cultura, o Quadrado das Artes, o Espaço de Vivência, Prainha e demais espaços – incluindo os espaços institucionais da ECA como auditórios -, por meio de exposições, apresentações artísticas, saraus, performances, debates, palestras, seminários, simpósios, congressos etc
- Elaborar e divulgar editais de cultura
- Criar programas de ajudas financeira, organizativa e política para atividades e ações culturais:
- PRÓ-MECA (Programa da Mostra Ecana de Cultura e Arte), fomentar e realizar a MECA através de GT da MECA, Semana da MECA e MECA permanente (atividades culturais e artísticas durante o ano)
- PRÓ-CULT (Programa de Ações e Atividades Culturais), fomentar e incentivar financeira e/ou politicamente, também por meio de editais de cultura, ações culturais, eventos, atividades, aquisição ou empréstimos de equipamentos e recursos materiais e humanos, na área de cultura
- cineclube
- Corais
- grupos artísticos
- SARAULC (Sarau Lupe Cotrim)
- PRÓ-QiB, com aporte financeiro para a realização do evento; realização de QiB’s temáticas; distribuição e divisão de atuação em QiB’s para cursos e projetos de estudantes, através de parcerias; concretização de QiBs mais integradas entre várias atividades como apresentação musical, espetáculo teatral, performances, exposições, saraus, mostras, discussões etc;
- Outras ações
Política de comunicação e informação
São elementos essenciais de uma política de comunicação e informação, a democratização da comunicação e o acesso à informação, tendo as seguintes ações:
- JECA (Jornal do Estudantes de Comunicações e Artes) – manter e aprimorar a elaboração do JECA com a participação e contribuição integrada de estudantes de vários cursos, e, fortalecer o JECA como espaço independente e de profusão e conteúdos políticos, culturais, artísticos etc.
- AGENDECA – agenda impressa e/ou eletrônica dos principais eventos acadêmicos, estudantis, acadêmicos da ECA e para a ECA
- Pepino, o Breve – boletim impresso e/ou eletrônico sobre informações do movimento estudantil, do CALC, da representação discente etc
- DISPOSITECA “AZIZ AB’SABER” – dispositivo (reunião de espaços físicos e eletrônicos) que coloque à disposição informações sobre cultura, arte, meio-ambiente, acesso à informação e democratização da comunicação, e, formas de participação interativas sobre diversos assuntos e usos acadêmicos da ECA, do CALC e da USP, e será constituído pelos seguintes dispositivos (unidades de informação e comunicação)
- site e blogs do CALC
- repositório acadêmico (lugar no qual estudantes poderão disponibilizar e “baixar” trabalhos acadêmicos e demais publicações)
- bibliotecas física, digital e virtual do CALC
- Arquivo do CALC (documentos e publicações da entidade)
- outros dispositivos
- Incentivar e realizar discussões, ações e proposições para o a democratização da comunicação e o acesso à informação – em software livre, TV e mídias digitais, bibliotecas digitais e virtuais, repositórios acadêmicos, mídia e imprensa independentes, liberdade de expressão, usos de redes e internet, etc – e buscar apoio, parcerias e/ou participação de organizações que atuem nessas lutas como GNUSP, G-POPAI, INTERVOZES etc
- Criar núcleo, grupos de trabalhos, grupos de discussões, comissões etc de comunicação e informação
- Tornar as informações do e sobre o CALC mais democratizas
- Outras ações
Ações de relações políticas e institucionais
O CALC é instituição independente e autônoma, também, por isso, pode e deve se relacionar com e nas várias entidades estudantis, órgãos e organizações, incluindo possíveis auxílios financeiros e apoios de naturezas diversas:
- DCE da USP
- centros/diretórios/secretarias acadêmicos
- CCA (Conselho de Centros Acadêmicos)
- órgão centrais e de administração da ECA e da USP
- APG (Associação de Pós-Graduandos da Capital e do Interior)
- CANIL_Espaço Fluxus de Cultura
- Grêmio das Artes
- departamentos e cursos da ECA
- unidades da USP
- executivas de cursos e de áreas etc
- EAD (Escola de Artes Dramáticas)
- etc
Política de defesa e uso dos espaços estudantis e públicos
Os espaços estudantis e públicos constituem parte essencial da vida acadêmica. A defesa desses espaços deve abranger:
- a Prainha
- o Espaço de Vivência
- o Quadrado das Artes
- o CANIL_Espaço Fluxus de Cultura
- outros espaços nos quais os estudantes, funcionários e professores exerçam projetos e ações acadêmicas compartilhadas efetivamente com a comunidade acadêmica e que não seja espaços de privilégios poucos para fins pessoais ou particulares
- o incentivo à discussão sobre a reforma física da ECA e dos departamentos pela comunidade ecana
- outras ações
Ações para reformas curriculares, e, para o ensino, pesquisa e extensão públicos, de qualidade, e para todos
É constante discussões e atividades que remetam à reformas curriculares, sobre a melhoria do ensino, pesquisa e da extensão. O CALC, no âmbito da graduação e pós-graduação, deve:
- propiciar atividades e espaços de discussões nos departamentos e no próprio CALC
- propor projetos e ações de reformas curriculares para os cursos da ECA junto à comunidade acadêmica
- realizar atividades e proposições de fortalecimento e melhorias sos diversos aspectos do ensino, incluindo infra-estrutura (salas de aulas, bibliotecas etc), qualidade das aulas e das atividades acadêmicas, formas de avaliação, qualidade dos docentes, quantidade de docentes, incentivo à docência; programas institucionais de iniciação científica; políticas e programas de permanência estudantil; acesso à universidade, moradia estudantil etc
- realizar atividades e ações sobre ensino a distância e licenciatura (incluindo a Licenciatura em Educomunicação e outras que vierem a surgir)
- realizar discussões e tomar posição sobre os cursos de extensão pagos, sua qualidade e legitimidade em espaços da universidade pública
- realizar discussões e ações sobre a questão de pesquisa na universidade pública; os regimentos vigentes e em proposição dos programas de pós-graduação; a infra-estrutura, as condições e os objetivos dos núcleos e grupos de pesquisa
- etc
Democracia e Poder
A democracia e poder compartilhado por todos e par todos devem se expressar na prática e no cotidiano das pessoas, e, por extensão, no dia-a-dia das comunidades ecana e uspiana. Essas instâncias devem atender aos interesses públicos, sem privilégios. Ações democráticas, independência e autonomia administrativas e financeiras, liberdade de expressão… devem ser alguns dos vários pressupostos básicos para a atuação de uma gestão dentro do CALC e no movimento estudantil, havendo assim, força e legitimidade para solidificar a luta no âmbito da ECA e da USP.
Enfim, quando se faz política, é necessário que afinemos com qual desordem exatamente iremos fazer ou estamos fazendo. E honestamente, se a desordem em questão é a proposta pela chapa TUDO QUE TRANCA TRINCA, ficamos felizes ao sermos chamados de desordeiros.